Arquivar para janeiro de 2010

Visão energética e espiritual da gestação

por Dr. Ricardo di Bernardi

A física moderna, com seus conceitos de energia e dimensões de tempo, hoje nos abrehorizontes amplos para a revisão de conceitos adormecidos e estratificados nas empoeiradas estantes de nossas científicas verdades.

As teses, de caráter dual, que apontam para a existência de um ser humano animal ou espiritual, parece que deverão se fundir para dar origem a um novo conceito de ser humano: O homem paranormal. As concepções religiosas alicerçadas em dogmas rígidos e não racionais, bem como as concepções científicas nos apresentando o embrião humano como apenas um conjunto de células e moléculas, haverá necessariamente de desaparecer, para que seja possível a compreensão integral, holística do homem.

Segundo o professor J. Banks Rhine e sua esposa Louise Rhine, que por décadas pesquisaram a respeito da mente no laboratório de Parapsicologia da Universidade de Duke, Carolina do Norte, o homem é composto de psique e soma. Poderíamos considerar isto como um retorno histórico à concepção religiosa de alma e corpo? Sim, mas aprimorada pela dialética do conhecimento científico. Alma ou Espírito não se considera como algo de concepção teológica, é a mente, elemento extrafísico como considera também o Prof. Whately Carington da Universidade de Cambridge.

Procurando insistir na tecla de que a ciência já vem admitindo a dualidade espírito (mente) e matéria, lembramos o parecer do catedrático Price, da conceituada Universidade de Oxford, sustentando a tese que a mente humana sobrevive à morte e tem a mesma capacidade da mente do homem vivo, de influir sobre as outras mentes do mundo material.

Observemos que não são religiosos tais conceitos, mas brotaram dos galhos rígidos da árvore da ciência. Apesar de inúmeros investigadores, de todos os continentes e ligados aos mais rigorosos métodos científicos, estarem caminhando para a constatação e demonstração da existência do extrafísico, há uma reação natural contra esta tendência. No entanto, assim como o universo físico vem sendo substituído pelo universo energético, em breve o homem psicológico será ampliado na concepção de homem paranormal de percepção extrassensorial.

As experiências e pesquisas científicas atuais indicam que todo ser vivo possui um corpo energético que sobrevive após a morte.

O Dr. Raymond Modd Jr., entrevistando dezenas de pacientes que comprovadamente pelos prontuários hospitalares estiveram clinicamente mortos, sendo ressuscitados por manobras médicas, constatou que as informações eram semelhantes. Embora os pacientes não tivessem nenhuma semelhança de formação religiosa, profissional ou, mesmo gênero de “quase morte”, todos disseram basicamente o mesmo. Entre inúmeros detalhes, salientamos o fato de eles se sentirem fora do corpo físico, em um corpo espiritual, assistindo às massagens cardíacas.

No livro Vida Depois da Vida[1], o citado autor detalha cada caso, exclui hipóteses diversas como uso de mesmo anestésico etc. Conclui, chamando a atenção para que se considere a possibilidade de realmente existir algo além da matéria tridimensional.

Extremamente interessantes também são as experiências do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, Dr. Charles Richet, que, mesmo correndo o risco de ser olhado com desdém pela maior parte da comunidade científica, publicou suas experiências que comprovam a existência de corpos espirituais. Naturalmente há os que o consideravam um gênio pelo fato de ter sido laureado pelo Prêmio Nobel, mas um ingênuo ao acreditar no extrafísico.

No livro O Tao da Física[2], Fritjof Capra estabelece um paralelo entre a física quântica e o misticismo oriental. Capra, doutorado em física pela Universidade de Viena, vem efetuando pesquisas a respeito de energia nas Universidades de Paris, Stanford, Califórnia e no Imperial College em Londres. O citado autor vem estudando e correlacionando os conceitos de física moderna com os da tradição do pensamento dos filósofos budistas, hinduístas e taoístas. No livro acima mencionado como também em The Turning Point (o ponto de mutação), Capra completa sua pesquisa, em que observamos a convergência entre os preceitos científicos e o mundo extrafísico, ou dimensão espiritual.

Admitamos que exista o espírito, que este sobreviva à morte. Não é só, há algo mais impressionante. As experiências efetuadas por centenas de médicos e psicólogos, ao regredirem seus pacientes por hipnose ou outros processos similares, levando-os a fases anteriores da sua juventude, infância, vida intrauterina e mais profundamente ainda no tempo, chegam à inevitável constatação da existência de vidas anteriores.

Morris Netherton, psicólogo clínico norte-americano, desenvolveu uma técnica denominada “Terapia Das Vidas Passadas”. Há por parte de muitos psicólogos, inclusive do Brasil, a preferência pelo nome “Terapia de Vivências Passadas”, para desvincular filosoficamente ou mesmo religiosamente do conceito de Reencarnação. Isto por que, para os terapeutas é absolutamente desnecessário ou indiferente crer ou não nas vidas pretéritas para que o tratamento beneficie o paciente.

A “Terapia de Vivências Passadas” é um método que pela regressão de memória permite ao paciente superficializar, para o seu consciente atual, ocorrências traumáticas do passado, recentes ou remotas, o que equivale a dizer, desta ou de outras encarnações. A evidência de vidas sucessivas é facilmente detectável por essa técnica terapêutica.

Não resta dúvida que os informes das vidas passadas podem ser interpretados como fantasias do inconsciente, mas a evidência da Reencarnação fica mais clara em função dos dados minuciosos fornecidos pelo paciente. À medida que ele descreve a situação, não o faz maquinalmente, mas vivenciando intensamente de forma emocional, em prantos, gemidos e até gritos em certos casos. Descreve a época, o lugar, as condições e linguagem envolvendo os fatos ocorridos na vida anterior. Como os detalhes podem às vezes ser importantes no processo terapêutico, há riqueza de dados que podem ser recolhidos nessa técnica e posteriormente comprovados.

Ian Stevenson, catedrático de Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Virgínia, U.S.A., escreveu a obra Twenty Cases Sugestive of Reincarnation.[3] Na citada obra, o autor investiga inúmeros casos, mas seleciona os mais elucidativos como evidente constatação de Reencarnação. Observemos o título cauteloso de “casos sugestivos….”

O bebê que hoje recebemos no lar pelas portas da gestação não é um ser sem passado. Já traz um patrimônio vivencial gravado no seu inconsciente, que é o seu espírito. Aliás, a mais evidente demonstração disso é a surpreendente diferença psicológica que os gêmeos univitelíneos às vezes apresentam. Se geneticamente são idênticos, e o ambiente uterino e familiar é o mesmo, só o passado pode explicar de onde vêm suas características tão diversas.

O intercâmbio energético entre mãe e filho é efetuado em nível de suas estruturas perispirituais, por isso é importante que, antes de comentarmos como elas ocorrem, estudemos resumidamente o corpo espiritual.

 

[1] MODD, Raymond Jr. Vida depois da Vida, 1979, p.172.

[2] CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Cultrix, 1985, p.262.

[3] STEVENSON, Ian. Twenty Cases Sugestive of Reincarnation. P. A. S. Psychical Research, 1966, p.362

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A cura está no doente, diz médico…

paulodetarso

Paulo de Tarso Lima, do Hospital Albert Einstein:
energia e religião no caminho da cura

(Foto: Divulgação)

Não é habitual ouvir um médico respeitável, de uma instituição de saúde modelar, falar sobre o papel da energia do corpo humano e da religião no caminho para a cura. É justamente o caso do cirurgião Paulo de Tarso Lima, coordenador do Departamento de Medicina Integrativa e Complementar do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. A medicina integrativa é uma prática em ascensão. Surgida nos Estados Unidos na década de 1970, une a medicina tradicional oriental, com sua abordagem holísitica, e a ocidental, apoiada na produção científica e na tecnologia. A reunião tem revolucionado a busca pela cura de doenças como o câncer. “A ideia não é excluir nada, mas juntar tudo e mostrar que a pessoa é detentora da capacidade de cura da própria doença”, afirma Lima, que estudou a medicina interativa na Universidade do Arizona (EUA) e cursa o primeiro ano da Barbara Brenner School of Healing, na Flórida, onde a cura é perseguida a partir do estudo da energia humana. O médico é também autor do livro Medicina Integrativa – A Cura pelo Equilíbrio (MG Editores, 139 págs., 32,20 reais). Na entrevista a seguir, ele explica os fundamentos da medicina integrativa e aposta que a prática vai se espraiar por aqui por razões econômicas – por ora, apenas alguns hospitais e somente cinco universidades brasileiros se dedicam ao assunto.

Afinal, o que é medicina integrativa?
É um movimento que surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 e que começou a ser organizado com mais rigor na década de 1980, quando entrou para as faculdades de medicina. Hoje, existem 44 universidades americanas ligadas à pratica, que traz uma visão mais holística da pessoa no seu todo: corpo, mente e espírito. O que buscamos é oferecer uma assistência com informação e terapias que vão além da medicina convencional para ajudá-la a se conectar com a promoção de saúde. Eu não tenho a menor dúvida de que a medicina convencional é extremamente efetiva em se tratando de doença, mas saúde não é apenas ausência de doença.

Que terapias são essas?
Sistemas tradicionais como a medicina chinesa e indiana nos oferecem uma gama de alternativas, como acupuntura, reiki, yoga, entre outras, que trabalham a energia do nosso corpo, estimulando uma reação aos sintomas das doenças. A ideia desse movimento não é excluir nada, mas juntar tudo e mostrar que a pessoa é detentora da capacidade de cura da própria doença. Isso é uma mudança de paradigma, porque a possibilidade de voltar ao estado saudável não é algo dado à pessoa, mas é algo inato a ela.

Qual a explicação para só agora a medicina integrativa despertar interesse de médicos convencionais?
Há duas razões: a demanda dos pacientes e a produção acadêmica, que cresce a uma velocidade muito alta. Se entendemos como as coisas funcionam, sabemos que é seguro.

Qual a situação da prática no Brasil?
Estamos em uma situação de dualidade. Os alinhados à prática muitas vezes não usam a medicina convencional de maneira integrada, e os convencionais não usam a medicina integrativa. Temos no Brasil um movimento diferente dos Estados Unidos, menos acadêmico, mas que vem crescendo graças a uma portaria de 2006 que autorizou procedimentos de acupuntura, homeopatia, uso de plantas medicinais e fitoterapias no Sistema Único de Saúde (SUS).

E por que a resistência dos médicos convencionais?
Eu não entendo. Estamos falando de energia e não precisamos ir muito longe para provar que energia corporal existe. A partir do momento que temos uma mitocôndria que produz energia dentro de cada célula, e isso é ensinado no primeiro ano de medicina, não há o que discutir. Temos energia no corpo, e pronto. O curioso é que muitos exames hospitalares rotineiros são baseados em mensuração do campo energético do corpo, como a ressonância magnética, o eletroencefalograma e outros mais sofisticados. Mas se você falar para um neurologista sobre a manipulação da energia do corpo, ele pira.

Por quê?
Porque entramos em um outro ponto da discussão sobre a energia humana, que é a interface com a religião. Estamos vivendo em uma nova fronteira em que se tenta entender essa energia, como ela é produzida, como pode ser manipulada e conduzida. E isso tem um impacto importante na questão da espiritualidade. Por isso, se algum paciente meu acha conforto na religião, se ele se sente bem assim, eu o estimulo a praticá-la.

E como se medem os resultados da medicina integrativa?
Começamos a medir os resultados pelas questões econômicas. A Prefeitura de Campinas, em São Paulo, registrou uma redução substancial de uso de analgésico dentro do SUS ao oferecer terapias ligadas à medicina chinesa focadas na questão ósseo-muscular. Além disso, tem uma série de trabalhos acadêmicos ligados à genética provando que a qualidade de vida produz efeitos na expressão genética da doença. E uma nova fase de trabalho investiga se uma gestante, cujo feto apresenta uma expressão genética de determinada doença, pode ajudar seu bebê se tiver uma gestação muito cuidadosa.

Como isso seria possível?
O homem carrega no seu código genético informações de doenças que podem ser a causa de sua morte. Isso já é provado. Só que você pode ter a característica genética da doença e não desenvolvê-la, ou tê-la precocemente. Isso vai depender da qualidade da sua vida. Comer bem, respirar melhor, praticar atividades físicas, lúdicas e contemplativas são fatores muito importantes ligados à qualidade de vida e que vão provocar um impacto no nosso bem-estar e, consequentemente, na resposta do corpo às doenças já estabelecidas e àquelas que estão programadas para acontecer. O Prêmio Nobel do ano passado de Medicina (dividido entre os pesquisadores Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak) mostra que, se há uma importante mudança nutricional e de práticas contemplativas, há uma diminuição da expressão de câncer de próstata em determinados grupos de homens.

As pessoas, em geral, estão mais abertas para as práticas alternativas?
No Brasil, entre 45% e 80% dos pacientes diagnosticadas com câncer utilizam algum tipo terapia “alternativa” em conjunto com o tratamento. Nos Estados Unidos, 13% das crianças e 55% dos adultos saudáveis utilizam tais práticas.

O senhor acredita que essa corrente ganhará espaço no futuro?
Acredito. Não por razões humanitárias, mas por uma questão econômica. Afinal, a forma como a medicina é praticada atualmente implica altos custos. Não posso prever, porém, quanto tempo isso vai demorar, porque o convencimento dos profissionais a respeito do assunto exigirá um longo trabalho.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cura-esta-doente-paulo-tarso-lima-medicina-integrativa-528349.shtml

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