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Visão energética e espiritual da gestação
por Dr. Ricardo di Bernardi
A física moderna, com seus conceitos de energia e dimensões de tempo, hoje nos abrehorizontes amplos para a revisão de conceitos adormecidos e estratificados nas empoeiradas estantes de nossas científicas verdades.
As teses, de caráter dual, que apontam para a existência de um ser humano animal ou espiritual, parece que deverão se fundir para dar origem a um novo conceito de ser humano: O homem paranormal. As concepções religiosas alicerçadas em dogmas rígidos e não racionais, bem como as concepções científicas nos apresentando o embrião humano como apenas um conjunto de células e moléculas, haverá necessariamente de desaparecer, para que seja possível a compreensão integral, holística do homem.
Segundo o professor J. Banks Rhine e sua esposa Louise Rhine, que por décadas pesquisaram a respeito da mente no laboratório de Parapsicologia da Universidade de Duke, Carolina do Norte, o homem é composto de psique e soma. Poderíamos considerar isto como um retorno histórico à concepção religiosa de alma e corpo? Sim, mas aprimorada pela dialética do conhecimento científico. Alma ou Espírito não se considera como algo de concepção teológica, é a mente, elemento extrafísico como considera também o Prof. Whately Carington da Universidade de Cambridge.
Procurando insistir na tecla de que a ciência já vem admitindo a dualidade espírito (mente) e matéria, lembramos o parecer do catedrático Price, da conceituada Universidade de Oxford, sustentando a tese que a mente humana sobrevive à morte e tem a mesma capacidade da mente do homem vivo, de influir sobre as outras mentes do mundo material.
Observemos que não são religiosos tais conceitos, mas brotaram dos galhos rígidos da árvore da ciência. Apesar de inúmeros investigadores, de todos os continentes e ligados aos mais rigorosos métodos científicos, estarem caminhando para a constatação e demonstração da existência do extrafísico, há uma reação natural contra esta tendência. No entanto, assim como o universo físico vem sendo substituído pelo universo energético, em breve o homem psicológico será ampliado na concepção de homem paranormal de percepção extrassensorial.
As experiências e pesquisas científicas atuais indicam que todo ser vivo possui um corpo energético que sobrevive após a morte.
O Dr. Raymond Modd Jr., entrevistando dezenas de pacientes que comprovadamente pelos prontuários hospitalares estiveram clinicamente mortos, sendo ressuscitados por manobras médicas, constatou que as informações eram semelhantes. Embora os pacientes não tivessem nenhuma semelhança de formação religiosa, profissional ou, mesmo gênero de “quase morte”, todos disseram basicamente o mesmo. Entre inúmeros detalhes, salientamos o fato de eles se sentirem fora do corpo físico, em um corpo espiritual, assistindo às massagens cardíacas.
No livro Vida Depois da Vida[1], o citado autor detalha cada caso, exclui hipóteses diversas como uso de mesmo anestésico etc. Conclui, chamando a atenção para que se considere a possibilidade de realmente existir algo além da matéria tridimensional.
Extremamente interessantes também são as experiências do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, Dr. Charles Richet, que, mesmo correndo o risco de ser olhado com desdém pela maior parte da comunidade científica, publicou suas experiências que comprovam a existência de corpos espirituais. Naturalmente há os que o consideravam um gênio pelo fato de ter sido laureado pelo Prêmio Nobel, mas um ingênuo ao acreditar no extrafísico.
No livro O Tao da Física[2], Fritjof Capra estabelece um paralelo entre a física quântica e o misticismo oriental. Capra, doutorado em física pela Universidade de Viena, vem efetuando pesquisas a respeito de energia nas Universidades de Paris, Stanford, Califórnia e no Imperial College em Londres. O citado autor vem estudando e correlacionando os conceitos de física moderna com os da tradição do pensamento dos filósofos budistas, hinduístas e taoístas. No livro acima mencionado como também em The Turning Point (o ponto de mutação), Capra completa sua pesquisa, em que observamos a convergência entre os preceitos científicos e o mundo extrafísico, ou dimensão espiritual.
Admitamos que exista o espírito, que este sobreviva à morte. Não é só, há algo mais impressionante. As experiências efetuadas por centenas de médicos e psicólogos, ao regredirem seus pacientes por hipnose ou outros processos similares, levando-os a fases anteriores da sua juventude, infância, vida intrauterina e mais profundamente ainda no tempo, chegam à inevitável constatação da existência de vidas anteriores.
Morris Netherton, psicólogo clínico norte-americano, desenvolveu uma técnica denominada “Terapia Das Vidas Passadas”. Há por parte de muitos psicólogos, inclusive do Brasil, a preferência pelo nome “Terapia de Vivências Passadas”, para desvincular filosoficamente ou mesmo religiosamente do conceito de Reencarnação. Isto por que, para os terapeutas é absolutamente desnecessário ou indiferente crer ou não nas vidas pretéritas para que o tratamento beneficie o paciente.
A “Terapia de Vivências Passadas” é um método que pela regressão de memória permite ao paciente superficializar, para o seu consciente atual, ocorrências traumáticas do passado, recentes ou remotas, o que equivale a dizer, desta ou de outras encarnações. A evidência de vidas sucessivas é facilmente detectável por essa técnica terapêutica.
Não resta dúvida que os informes das vidas passadas podem ser interpretados como fantasias do inconsciente, mas a evidência da Reencarnação fica mais clara em função dos dados minuciosos fornecidos pelo paciente. À medida que ele descreve a situação, não o faz maquinalmente, mas vivenciando intensamente de forma emocional, em prantos, gemidos e até gritos em certos casos. Descreve a época, o lugar, as condições e linguagem envolvendo os fatos ocorridos na vida anterior. Como os detalhes podem às vezes ser importantes no processo terapêutico, há riqueza de dados que podem ser recolhidos nessa técnica e posteriormente comprovados.
Ian Stevenson, catedrático de Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Virgínia, U.S.A., escreveu a obra Twenty Cases Sugestive of Reincarnation.[3] Na citada obra, o autor investiga inúmeros casos, mas seleciona os mais elucidativos como evidente constatação de Reencarnação. Observemos o título cauteloso de “casos sugestivos….”
O bebê que hoje recebemos no lar pelas portas da gestação não é um ser sem passado. Já traz um patrimônio vivencial gravado no seu inconsciente, que é o seu espírito. Aliás, a mais evidente demonstração disso é a surpreendente diferença psicológica que os gêmeos univitelíneos às vezes apresentam. Se geneticamente são idênticos, e o ambiente uterino e familiar é o mesmo, só o passado pode explicar de onde vêm suas características tão diversas.
O intercâmbio energético entre mãe e filho é efetuado em nível de suas estruturas perispirituais, por isso é importante que, antes de comentarmos como elas ocorrem, estudemos resumidamente o corpo espiritual.
[1] MODD, Raymond Jr. Vida depois da Vida, 1979, p.172.
[2] CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Cultrix, 1985, p.262.
[3] STEVENSON, Ian. Twenty Cases Sugestive of Reincarnation. P. A. S. Psychical Research, 1966, p.362
Fenômenos Psicofisiológicos
Fenômenos psicofisiológicos das pessoas que falam delas mesmas na terceira pessoa.
Revista Espírita, agosto de 1861
O jornal o Siècle, de 4 de julho de 1861, cita o fato seguinte, segundo o jornal do Havre:
“Vem de morrer no hospício um homem que era vítima de uma aberração mental das mais singulares. Era um soldado, chamado Pierre Valin, que havia sido ferido na cabeça na batalha de Solferino. A ferida estava completamente cicatrizada, mas, desde esse momento, se acreditava morto.
“Quando se lhe perguntava das notícias de sua saúde, ele respondia: Quereis saber como vai Pierre Valin? Ó pobre jovem! Ele foi morto por um tiro na cabeça em Solferino. O que vedes não é Valin, é uma máquina que se fez à sua semelhança, mas está bem mal feita; deveríeis rogar-lhes para fazer uma outra.”
“Nunca, falando de si mesmo, não dizia eu ou mim mas isto. Freqüentemente ele caía num estado de completa imobilidade e de insensibilidade ,que durava vários dias. Aplicados contra essa afecção, o sinapismo, os vesicatórios jamais determinaram o menor sinal de dor. Explorou-se freqüentemente a sensibilidade da pele desse homem, beliscando-lhes os braços e as pernas, sem que manifestasse o menor sofrimento.
“Para estar mais certo de que ele não dissimulava, o médico picava-o vivamente por detrás, enquanto se lhe falava; o doente não se apercebia de nada. Freqüentemente Pierre Valin recusava comer, dizendo que isto não tinha necessidade disso; que, aliás, isto não tinha ventre, etc.
“Esse fato, de resto, não é o único no gênero. Um outro soldado, igualmente ferido na cabeça, falava sempre na terceira pessoa e no feminino. Exclamava: “Ah! Como ela sofre! Ela tem sede! etc.” Fez-se-lhe, de início, perceber seu erro, e convinha nele com muita surpresa, mas nele caía continuamente, e nos últimos tempos de sua vida, não exprimia mais senão dessa maneira.
“Um zuavo, sempre em conseqüência de uma ferida na cabeça, perfeitamente curado, entretanto, perdera a memória dos substantivos. Sargento instrutor, embora conhecesse muito bem os nomes dos soldados de seu esquadrão, designava-os por estas palavras: O grande moreno, o pequeno castanho, etc. Para comandar, servira-se de pe-rifrases quando se tratava de designar o fuzil ou o sabre, etc. Foram obrigados a devolvê-lo para os seus familiares.
“Os últimos anos do célebre médico Baudelocque oferecem o exemplo de uma lesão análoga, mas menos marcante. Ele se lembrava muito bem do que fizera estando com saúde; reconhecia pela voz (porque fora atingido pela cegueira) as pessoas que vinham vê-lo; mas não tinha nenhuma consciência de sua existência. Perguntava-se-lhe, por exemplo: Como vai a cabeça? Ele respondia: “Eu não tenho cabeça.” Pedindo-se-lhe o braço para consultar-lhe o pulso, respondia que não sabia onde estava. Um dia, quis ele mesmo tomar o pulso; colocou-se-lhe a mão direita sobre o punho esquerdo; perguntou em seguida se era bem a sua mão que ele sentia, depois uo que julgou muito sadiamente seu pulso.”
A fisiologia nos oferece, a cada passo, fenômenos que parecem anomalias, e diante dos quais ela permanece muda. Por que isso? Já o dissemos, e não saberíamos repeti-lo muito, é que ela quer tudo relacionar ao elemento material, sem ter em nenhuma conta o elemento espiritual. Enquanto se obstinar nesse caminho restritivo, será impotente para resolver os mil problemas que surgem, a cada instante, sob o seu escalpelo, como a lhe dizer: “Bem vês que há outra coisa senão a matéria, uma vez que só a matéria não pode tudo te explicar.” E aqui não falamos somente de alguns fenômenos bizarros que poderiam tomá-la de surpresa, mas dos efeitos mais vulgares. Se ela somente se desse conta dos sonhos? Não falamos mesmo dos sonhos verdadeiros, daqueles que são percepção real das coisas ausentes, presentes ou futuras, mas simplesmente dos sonhos fantásticos ou de lembranças; disse ela como se produzem essas imagens tão claras e tão nítidas que nos aparecem algumas vezes? Qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas? No sonambulismo natural, que ninguém contesta, disse ela de onde vem essa estranha faculdade de ver sem o socorro dos olhos? De ver, não vagamente, mas os detalhes mais minuciosos, ao ponto de poder fazer, com precisão e regularidade, trabalhos que, no estado normal, exigiriam uma visão penetrante? Há, pois, em nós alguma coisa que vê independentemente dos olhos. Nesse estado, não somente a pessoa age, mas pensa, calcula, combina, prevê, e se entrega a trabalhos de inteligência dos quais é incapaz no estado de vigília, e dos quais não conserva nenhuma lembrança; ha, pois, alguma coisa que pensa independentemente da matéria. Qual é essa alguma coisa? Aí ela se detém. Esses fatos, entretanto, não são raros; mas um sábio irá aos antípodas para ver e calcular um eclipse, ao passo que não irá na casa de seu vizinho para observar um fenômeno da alma. Os fatos naturais e espontâneos, que provam a ação independente de um princípio inteligente, são muito numerosos, mas essa ação ressalta, ainda com mais evidência, nos fenômenos magnéticos e espíritas, onde o isolamento desse princípio se produz, por assim dizer, à vontade.
Voltemos ao nosso assunto. Narramos um fato análogo na Revista de junho de 1861, a propósito da evocação do marquês de Saint-Paul. Em seus últimos momentos, ele dizia sempre: Ele tem sede, é preciso dar-lhe de beber; ele tem frio, é preciso aquecê-lo; ele sofre em tal lugar, etc. E quando se lhe dizia: Mas sois vós que tendes sede, ele respondia: Não, é ele. É que o eu pensante está no Espírito e não no corpo; o Espírito, já em parte desligado, considerava o seu corpo como uma outra individualidade que não era ele, propriamente falando; era, pois, ao seu corpo, a esse outro indivíduo que era necessário dar a beber, e não a ele Espírito. Também, quando da evocação, foi-lhe feita essa pergunta: Por que faláveis sempre na terceira pessoa? Ele respondeu: “Porque eu era vidente, eu vos disse, e sentia nitidamente as diferenças que existem entre o físico e o moral; essas diferenças, ligadas entre si pelo fluido de vida, se tornam muito marcantes aos olhos dos agonizantes clarividentes.”
Uma causa semelhante deveu produzir o efeito notado nos militares dos quais se falou. Dir-se-á, talvez, que a ferida determinara uma espécie de loucura; mas o marquês de Saint-Paul não recebera nenhuma ferida; tinha toda a sua razão, disso estamos certos, uma vez que o tivemos de sua irmã, membro da Sociedade. O que se produziu espontaneamente em sua casa, poderia perfeitamente ter determinado em outras por uma causa acidental. Aliás, todos os magnetizadores sabem que é muito comum, aos sonâmbulos, falar na terceira pessoa, fazendo assim a distinção entre a personalidade da sua alma, ou Espírito, e a de seu corpo.
No estado normal as duas individualidades se confundem, e sua perfeita assimilação é necessária à harmonia dos atos da vida; mas o princípio inteligente é como esses gases não se prendem a certos corpos sólidos senão por uma coesão efêmera, e se escapam ao primeiro sopro; há sempre uma tendência para se desembaraçar de seu fardo corpo reo, desde que a força que mantém o equilíbrio cesse de agir por uma causa qualquer. Só a atividade harmônica dos órgãos mantém a união íntima e completa da alma e do corpo; mas, à menor suspensão dessa atividade, a alma toma o seu vôo; é o que ocorre no sono, no meio-sono, no simples entorpecimento dos sentidos, na catalepsia, na letargia, no sonambulismo natural ou magnético, no êxtase, no que se chama o sonho despertou segunda vista, nas inspirações do gênio, em todas as grandes tensões do Espírito que, freqüentemente, tornam o corpo insensível; é, enfim, o que pode ocorrer como conseqüência de certos estados patológicos. Uma multidão de fenômenos morais não tem outra causa senão a emancipação da alma; a medicina admite muito a influência das causas morais, mas ela admite o elemento moral como o princípio ativo; é porque ela confunde esses fenômenos com a loucura orgânica, e é porque também lhe aplica um tratamento puramente físico que, muito a miúdo, determina uma loucura real onde dela não havia senão a aparência.
Entre os fatos citados, há um que parece bastante bizarro; é o do militar que falava na terceira pessoa do feminino. O elemento primitivo do fenômeno, como o dissemos, é a distinção das duas personalidades em conseqüência do desligamento do Espírito; mas há um outro, que o Espiritismo nos revela, e do qual é preciso ter conta, porque pode dar às idéias um caráter particular: é a vaga lembrança das existências anteriores que, no estado de emancipação da alma, pode despertar, e permitir lançar um golpe de vista retrospectivo sobre alguns pontos do passado. Em tais condições, o desligamento da alma jamais é completo, e as idéias, se ressentindo do enfraquecimento dos órgãos, não podem estar muito lúcidas, uma vez que não o são mesmo inteiramente nos primeiros instantes que seguem à morte. Suponhamos que o homem, de que falamos, foi mulher em sua precedente encarnação, a idéia que dela conservasse poderia se confundir com a do estado presente.
Não poderia se encontrar nesse fato a causa primeira da idéia fixa de certos alienados que se crêem reis? Se o foram em uma outra existência, dela pode lhe restar uma lembrança que lhes faça ilusão. Isso não é senão uma suposição, mas que, para os iniciados no Espiritismo, não está desprovida de verossimilhança. Se essa causa é possível neste caso, dir-se-á, ela não poderia se aplicar àqueles que se crêem lobos ou porcos, uma vez que se sabe que o homem jamais fora animal. É verdade, mas um homem,pode ter estado numa condição abjeta que o obrigasse a viver entre os animais imundos ou selvagens; ali pode estar a fonte dessa ilusão que bem poderia, em alguns, lhes ser imposta como punição dos atos de sua vida atual. Quando os fatos da natureza daqueles que narramos se apresentam, se em lugar de assimilá-los sistematicamente às enfermidades puramente corpóreas, se seguiam deles atentamente todas as fases com a ajuda dos dados fornecidos pelas observações espíritas, reconhecer-se-ia, sem dificuldade, a dupla causa que lhes assinalamos, e compreender-se-ia que não é com duchas, cauterizações e sangrias que se podem remediá-los.
O fato do doutor Baudelocque encontra ainda a sua explicação em causas análogas. Ele não tinha, disse o artigo, nenhuma consciência de sua existência; é um erro, porque não se acreditava morto, somente não tinha consciência de sua existência corpórea; encontrava-se num estado quase semelhante ao de certos Espíritos que, nos primeiros tempos que seguem à morte, não crêem estar mortos e tomam o seu corpo pelo de um outro, a perturbação em que se encontram não se lhes permitindo se darem conta de sua situação; o que se passa entre certos desencarnados pode ocorrer entre certos encarnados; assim é que o doutor Baudelocque que podia fazer abstração de seu corpo, e dizer que não tinha mais cabeça, porque, com efeito, seu Espírito não tinha mais a cabeça carnal. As observações espíritas fornecem numerosos exemplos desse gênero, e também lançam uma luz toda nova sobre uma infinita variedade de fenômenos até esse dia inexplicados, e inexplicáveis sem as bases fornecidas pelo Espiritismo.
Restaria para examinar-se o caso do zuavo que perdera a memória dos substantivos; mas não pode se explicar senão pelas considerações de uma outra ordem que entram no domínio da fisiologia orgânica. Os desenvolvimentos que comporta nos convidam a consagrar-lhe um artigo especial, que publicaremos proximamente.
TVP, Apometria e Captação Psíquica (Psicotranse)
A TVP ou Terapia de Vida Passada é um conjunto de procedimentos psicoterápicos destinado ao tratamento dos distúrbios do psiquismo, distúrbios comportamentais, distúrbios físicos e dificuldades em geral, empregados por terapeutas em consultório profissional.
É uma técnica que faculta a abordagem, o acesso e o tratamento dos conteúdos e registros de memórias cerebrais desarmônicas esquecidas, gravadas no período gestatório, na infância e também aos conteúdos das memórias extracerebrais gravadas em passadas existências. Possibilita a compreensão e o tratamento eficiente das causas geradoras de inúmeros distúrbios psíquicos, comportamentais e físicos de difícil diagnóstico e de etiologia obscura. É um recurso composto por um conjunto de procedimentos, tais como regressão e progressão de memória, psicoterapia, catarse de conteúdos emocionais traumáticos existentes, reconstrução da personalidade, etc.
Sua ação se faz por meio do trabalho e orientação de um terapeuta, que atua como facilitador, e da aceitação e cooperação do interessado que acessa suas próprias memórias subconscientes e inconscientes. Serve para tratar terapeuticamente distúrbios de ordem pessoal, interpessoal, transpessoal, psíquica, anímica, comportamental e física. É útil, ainda, como valioso recurso para desenvolver e despertar potencialidades, assim como instrumento auxiliar das demais técnicas terapêuticas.
A Captação Psíquica é um procedimento psicoterapêutico investigativo e exploratório que dá condições de acessar estados dissociados de consciência ou de personalidade (Distúrbio da Múltipla Personalidade ou Distúrbio Dissociativo de Identidade), identificados ou ocultos e tratar cada Personalidade Psíquica, transformando suas crenças, memórias, hábitos ultrapassados, apegos, etc. A técnica oferece condições de explorá-las e tratá-las terapeuticamente de forma clara, lógica, eficiente e rápida, esclarecendo o paciente e também o próprio terapeuta.
Sua prática é realizada por uma dupla de terapeutas (um captador e um esclarecedor), na presença do atendido, visando acessar, explorar, esclarecer e tratar aspectos obscuros, resistentes ao processo terapêutico convencional e a muitos tratamentos espirituais, que entravam o processo evolutivo ou os projetos de vida das pessoas afetadas. É uma técnica empregada em consultórios terapêuticos e por profissionais devidamente experimentados.
Para se entender com mais clareza o funcionamento do nosso psiquismo e dos seus mecanismos, precisamos ter uma noção das leis que o regem e das influências que o afetam. André Luiz, no livro ”Missionários da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, e seus colegas de estudo analisam, sob o ponto de vista dos espíritos, a Lei de Causa e Efeito. Descrevem que o próprio ser humano põe esta lei em movimento a seu favor ou a seu próprio prejuízo. Descrevem: “a epífise ou glândula pineal concentra e traduz as radiações que a mente gera e as distribui através do tálamo (massa composta por substância cinzenta). Desse modo, a mente elabora as criações que lhe fluem da vontade, apropriando-se dos elementos que a circundam e o centro coronário incumbe-se, automaticamente, de fixar a natureza da responsabilidade que lhes diga respeito, marcando no próprio ser as conseqüências felizes ou infelizes de sua própria movimentação consciencial, no campo do destino”.
A TVP e a Captação Psiquica são técnicas adequadas para auxiliarem e complementarem outros tratamentos médicos ou psicoterápicos, distúrbios psicológicos e psicossomáticos diversos, como traumas, síndrome do pânico, fobias, depressão, estresse, anorexia, bulimia e alternância de personalidades, que afetam o comportamento e a vida das pessoas no aspecto profissional, afetivo e pessoal, pela facilidade de acesso ao conteúdo psíquico da pessoa em foco.
A Captação é muito empregada no tratamento de crianças, pessoas com hipertensão arterial ou doenças auto-imunes, cardíacos, pessoas com déficit de atenção, dificuldades de locomoção e principalmente nas pessoas que desejam entender a si mesmas e melhorar sua eficiência, saúde e desempenho. Utilizando a captação psíquica podemos facilitar tratamentos psicoterápicos em pessoas com dificuldade para a terapia regressiva ou hipnose, diminuindo o tempo de tratamento e evitando os impedimentos causados pela idade ou condição física do paciente. Por depender de avaliação, observação e estudos mais demorados sobre o comportamento, sintomas e problemas do paciente, a captação é mais adequada para utilização na terapêutica profissional em consultórios. É por meio da captação e do tratamento das Personalidades Psíquicas que podemos identificar a causa da dificuldade ou ineficácia de alguns tratamentos, traços de caráter negativos, mágoas ocultas, ódios recalcados e esquecidos, frustrações, resistências à vida, às pessoas ou a situações que alimentam o desejo consciente ou inconsciente de permanecerem doentes ou de morte.
Facultam ainda identificar os agentes mais temíveis e ocultos, os nossos obsessores internos, os elementos que habitam em nós mesmos e nos prejudicam: o “orgulho”, a “vaidade”, a “perfídia”, a “maldade”, a “preguiça”, a “avareza”, a “ignorância” e a “má vontade”. Elementos perversores criados e alimentados por nossas crenças, medos, culpas, traumas, descontentamentos, frustrações e covardia.
Apesar de servirem para minimizar o impacto de nossos erros, deixam-nos cegos e surdos à voz amorosa de nossos guias espirituais e de nossa consciência, impedindo-nos de ver com clareza a Luz de Deus e o amparo que recebemos, como também os belíssimos apelos da vida e as oportunidades infinitas que estão ao nosso alcance.
Os elementos orientadores residentes em nós, como a “humildade”, a “modéstia”, a “lealdade”, a “bondade”, a “diligência”, o “desapego”, a “sabedoria” e a “boa vontade”, alertam-nos, fazem-nos encarar a verdade, mostram-nos como realmente somos e nos forçam a corrigir os desvios, mas nem sempre conseguem levar vantagem sobre as forças inferiores.
Como consequência da negação, repressão ou alimentação dos aspectos perversores, ocorre um entrechoque de forças antagônicas dentro dos nossos campos mental, emocional e afetivo, gerando e acordando personalidades psíquicas. De um lado a imposição e de outro a negação, numa área a imobilidade e na outra a atividade. Daí as constantes guerras e disputas internas, causando desarmonia mental, emocional e física.
A TVP e a Captação Psíquica proporcionam não só grande compreensão sobre as causas dos problemas, mas também amplos recursos e possibilidades, maior entendimento sobre a natureza dos elementos em tratamento e eficientes resultados.
O conhecimento das leis e dos recursos dessas técnicas faculta-nos ainda a identificação e o tratamento terapêutico de grande parte das desarmonias e distúrbios relacionados com a reencarnação, formação dos corpos, comportamento humano e doenças de origem anímica. Oferece-nos a possibilidade do acesso, descoberta, despertar e desenvolvimento das inúmeras potencialidades ainda adormecidas no homem atual.
Estudos e pesquisas comprovam que alguns estados dissociativos são completamente imperceptíveis, mas os sintomas que esses estados geram se tornam visíveis em forma de reações e expressões desarmônicas variadas.
Por meio dessas duas técnicas podemos descobrir as causas não materiais de distúrbios como alergias, dores em geral sem causa aparente, psicoses, neuroses, distúrbios do comportamento, doenças auto-imunes, etc. Assim confirmam a tese da Doutrina Espírita de que a causa das nossas doenças está no espírito e as lesões do corpo físico são projeções ou irradiações doentias do pensamento e dos sentimentos, mais especificamente do ego (personalidade).
Por radiações mentais podemos entender o ato ou efeito de pensar e direcionar uma idéia ou um conjunto de idéias com valoração, atitudes, sentimentos e conceitos peculiares à índole e ao caráter da pessoa. A irradiação de energia luminosa em linha reta através do espaço pode alcançar a velocidade de até 300.000 km/s. Os espíritos nos informam que o pensamento ou onda mental se irradia com maior velocidade. Então, o impacto de um bombardeio contínuo de partículas mentais carregadas de energia negativa em direção a um determinado alvo certamente causará estragos consideráveis.
Pensamentos e sentimentos negativos ou positivos depois de irradiados, agregam-se por atração e afinidade a outros pensamentos e energias de igual teor, de forma cumulativa, aumentando a carga de que são portadores. Há responsabilidade de quem arroja de si mesmo pensamentos negativos ou desordenados frente a quem os absorve.
Naturalmente, quando isso acontece, os automatismos reguladores agem imediatamente determinando o “carma” de seu irradiador. Terá retorno positivo se irradiou energia luminosa e benéfica ou retorno negativo se projetou energias deletérias, visando um fim ignóbil e maléfico.
Da mesma forma, atuando automaticamente temos a “Lei da Correspondência Vibratória”, que estabelece sintonia automática com outras correntes mentais que vibram no mesmo tipo de onda. Segundo André Luiz, em “Mecanismos da Mediunidade”: “… cada Espírito gera em si mesmo, inimaginável potencial de forças mento-eletro-magnéticas, exteriorizando nessa corrente psíquica os recursos e valores que acumula em si próprio. Ao gerar essa força, assimila, espontaneamente, as correntes mentais que se harmonizem com o tipo de onda emitido, impondo às mentes simpáticas o fruto de suas elucubrações e delas recolhendo o que lhes seja característico, independentemente da distância espacial”.
As forças que geramos e exteriorizamos podem ser, de certa forma, qualificadas. Assim, a irradiação mental é o veículo portador da energia qualidade, contendo o tipo de sentimento e emoção da pessoa, bons ou maus, com suas cores características. A irradiação elétrica é o veículo portador da energia força, uma mente vigorosa irradia essa carga com maior intensidade. Já a irradiação magnética é a portadora da energia informação, fluxo que dá condições de decifrar ou definir a emoção, sentimento e intenção irradiados. Tarefa essa que médiuns estudiosos, observadores e experimentados, captam e leem com facilidade, embora muitos não se deem conta de que estão fazendo essa leitura, como também a grande maioria das pessoas encarnadas, mas que no plano espiritual superior é normal.
Temos também o fenômeno ou “Lei de Ressonância Vibratória”, que nos parece muito semelhante. Em Física, ressonância é o fenômeno que ocorre quando um sistema oscilante (mecânico, elétrico, acústico, etc.) é excitado por agente externo periódico, com freqüência idêntica à freqüência do receptor.
No campo espiritual, ressonância é a transferência de energia de um sistema radiante indutor para outro sistema radiante receptor, que tenha frequência sintônica. Dessa forma, ao se gerar uma vibração mental positiva ou negativa, possivelmente em vários níveis de ação, provocamos uma reação nos elétrons, átomos, moléculas e outros elementos que compõem as várias frequências de radiação do outro ou outros campos magnéticos que estejam em sintonia conosco ao alcance de nossa onda mental. Como conseqüência incide a “Lei da Ação e Reação”, determinando retorno automático ao agente gerador da ação inicial. Diante do exposto e por prudência, torna-se necessária a vigilância dos pensamentos, sentimentos, emoções e ações, visando evitar as sintonias e retornos negativos.
Em “Mecanismos da Mediunidade”, André Luiz ao comentar o assunto informa: “Temos plena evidência de que a auto-sugestão encoraja essa ou aquela ligação, esse ou aquele hábito, demonstrando a necessidade de autopoliciamento em todos os interesses de nossa vida mental, porquanto, conquistada a razão com a prerrogativa de escolha de nossos objetivos, todo o alvo de nossa atenção se converte em fator indutivo, compelindo-nos a emitir valores de pensamento contínuos na direção em que se nos fixe a idéia. Direção essa, na qual encontramos os princípios combináveis com os nossos, razão por que, automaticamente, estamos ligados em espírito com todos os encarnados ou desencarnados que pensam como pensamos”.
Na Terapêutica de Vida Passada e Regressão de Memória, os primeiros a acessarem as existências pretéritas foram Fernando Colavida, a partir de 1887 e um pouco mais tarde, na última década do século XVIII e primeira do século seguinte, Albert De Rochas quando trabalhou com 18 sujeitos. Léon Denis, o grande filósofo espírita, também se ocupou do assunto, bem como Charles Lancelin e Flournoy com a médium Helena Smith.
Mas o grande impulso nas experimentações desta natureza, especialmente como recurso terapêutico, foi dado em 1967 quando circulou pelos centros acadêmicos da Psicologia americana o caso de um psicólogo protestante que tinha sonhos repetitivos sobre um navio afundando. Submetido à regressão para além da vida intra-uterina, descobriu-se a época, o local do acontecimento, bem como a lista das vítimas. Assim foi possível confirmar a identidade que o psicólogo afirmava ter usado.
Ao longo dos últimos 50 anos, a TVP vem se desenvolvendo de forma séria e segura, inclusive pelo trabalho de pessoas não ligadas ao espiritismo, como é o caso do psicólogo americano protestante Morris Netherton e também do psiquiatra Bryan Weiss. As controvérsias existentes estão se diluindo a cada dia, não só no âmbito da pesquisa científica, mas também no meio espírita. Os resultados são ótimos e, sem dúvida, acabarão por angariar a confiança e a simpatia geral de profissionais da psicologia, psicanálise e psiquiatria. As resistências existentes são naturais. O ser humano por medo, crença, ignorância, preconceito e má vontade sempre foi pródigo em exemplos de ceticismo, inércia e incapacidade de ver além das aparências.
O jogo de interesses é outro fator que contribui fortemente para retardar o avanço de novas idéias e de soluções simples e práticas, que só à custa de muito esforço e tempo logram êxito em derrubar as inúmeras barreiras que lhes são interpostas no caminho. Foi assim com o magnetismo de Mesmer, só mais tarde reabilitado com o advento do hipnotismo, hoje incorporado ao meio científico. O mesmo ocorreu com a homeopatia e a acupuntura, que só recentemente foram reconhecidas como ramos da medicina oficial, porquanto antes não mereciam mais que rótulos pejorativos, marginalizadas como medicina alternativa.
É assim que a Ciência, não só a Medicina, trata as coisas novas. O Espiritismo, talvez mais do que qualquer outro conjunto de idéias da humanidade, sofreu e ainda sofre resistências, desprezo, descaso quando não a oposição contundente dos cientistas ao falar em vida após a morte, reencarnação e mediunidade. Sabemos que o Espiritismo não aceita nada que esteja em desacordo com a demonstração dos fatos ou que se oponha ao raciocínio lógico. É o primeiro a combater as superstições, crendices e fraudes de qualquer natureza. Porém, com a negação de fatos que confirmam seus próprios princípios, recai-se no extremo oposto, comportando-se exatamente como os seus maiores inimigos. Boa parte do meio espírita está envolvida pelo excesso de zelo, radicalização em torno da pureza doutrinária, defendendo com ardor algumas idéias de Allan Kardec e, paradoxalmente, esquecendo-se de tudo o que ele escreveu sobre o progresso do Espiritismo, especialmente no seu aspecto científico: “Jamais o Espiritismo será ultrapassado porque toda vez que os fatos lhe demonstrarem estar errado em um ponto ele se corrigirá neste ponto; se uma nova descoberta lhe for revelada, ele a assimilará”. E mesmo assim dentro das fileiras espíritas existe o conservadorismo, a resistência, o ceticismo e a má vontade. Mas os líderes espíritas mais conservadores estão, como todos nós, a caminho do túmulo, e serão substituídos por outros de mentes mais arejadas, despojadas dos velhos ranços doutrinários, preconceitos e crenças. As novas técnicas e estudos, direta ou indiretamente, vêm comprovar ou demolir de modo diferente, mas cabal alguns de seus “preciosos princípios doutrinários”.
A Terapêutica
Conhecida a estrutura do Agregado Humano (corpos, personalidades múltiplas e subpersonalidades) torna-se mais fácil tratar os distúrbios decorrentes.
Jung dizia que: “O funcionamento da psique se baseia no princípio da oposição entre os elementos contrários. E que, a tarefa do homem no caminho de individuação é unir os opostos”.
Evidentemente, os elementos contrários referem-se aos “eus”, “personalidades múltiplas” e “subpersonalidades” antagônicas, que coexistem em constante conflito, dentro do campo psíquico. São passíveis de tratamento terapêutico, devido à visão e dedicação do Dr. Lacerda, que soube aproveitar grande parte do conhecimento existente sobre o assunto e transformar esse conhecimento na técnica apométrica.
Também de grande relevância é o trabalho de Joanna de Ângelis, espírito que aprofundou estudos na área da psicologia transpessoal, ampliando as bases para uma terapêutica psicológica profunda, principalmente a TVP (Terapia de Vida Passada). O livro “O Homem Integral” de sua autoria representou marco importante no desenvolvimento do psiquismo terapêutico: “nos alicerces do Inconsciente profundo encontram-se os extratos das memórias pretéritas, ditando comportamentos atuais, que somente uma análise regressiva consegue detectar, eliminando os conteúdos perturbadores, que respondem por várias alienações mentais”.
A Auto-obsessão
A Auto-obsessão é distúrbio grave e extremamente lesivo. É provocado e alimentado pelos elementos que compõem o psiquismo do próprio ser. Manifesta-se em forma de pessimismo, desconfiança, depressão, complexos, rebeldias, fugas (alheamento ou suicídio), apegos em vivências passadas, ódios, autovampirismo, etc.
Síndrome da Eclosão Mediúnica
Denomina-se “Síndrome da Eclosão Mediúnica” o conjunto de sintomas que acompanham o despertar dessa faculdade. Esses sintomas se agravam acentuadamente, nos casos em que a pessoa traz mediunidade de cura ou de efeitos físicos, em virtude da produção de ectoplasma gerado.
Solução do problema: assumir, educar e colocar a mediunidade a serviço do amor fraterno.
Algumas aplicações da terapêutica do Desdobramento Múltiplo e da Apometria
O nosso modelo terapêutico trata os sintomas, distúrbios, doenças e comportamentos negativos alternantes ou permanentes. Parte do princípio de que a gênese das sintomatologias está na dissociação de consciência ou de personalidade, nos distúrbios de ordem espiritual, mediúnico, comportamental e anímico. Seu fundamento tem base na psicologia, psiquiatria e Doutrina Espírita, (“Distúrbio das Personalidades Múltiplas” ou Distúrbio Dissociativo de Identidade, na descrição da Doutrina Espírita sobre a Obsessão e a Auto-obsessão e também nos estudos sobre Constelação Familiar).
A Captação Psíquica e a Incorporação na mesa mediúnica revelam que o DPM constitui-se numa multiplicidade de elementos autônomos atuando desarmonicamente no campo psíquico dos indivíduos. Tais elementos psíquicos podem ser dissociados da própria pessoa, familiares, terceiros e participação direta ou indireta de espíritos.
Quando a pessoa afetada compreende sua situação, conscientemente deseja o tratamento, e outras pessoas em atitude fraterna desejam auxiliar aqueles que sofrem desse tipo de distúrbio, o mundo interior dessas pessoas ou das pessoas afetadas pode ser acessado e tratado. Desse modo, nosso modelo terapêutico permite encontrar caminhos para a compreensão, acesso, explicação e tratamento para muitos distúrbios e traumas psíquicos de difícil entendimento e de diagnóstico obscuro, tais como medos, pânicos, depressões, esquizofrenias, retardos, autismos, doenças autoimunes, etc.
A existência desses múltiplos elementos psíquicos remontam a muitas culturas sem serem relacionados a distúrbios mentais. Assim, para o paradigma reencarnacionista, a denominação DMP (distúrbio das múltiplas personalidades), como estava no DSM–III, é mais adequada, porque reflete o despertar das nossas personalidades vividas ao longo do processo evolutivo.
O DDI (distúrbio dissociativo da identidade), interpretado como distúrbio mental, tornou-se diagnóstico oficial da Associação Psiquiátrica Americana em 1980 (DSM-IV). A visão não reencarnacionista não pode admitir o conceito de personalidades múltiplas, dado que, dentro do paradigma materialista, a pessoa nasce com uma só personalidade e não viveu outras existências.
O “Eu” Cósmico ou Quântico é único e indivisível, fulcro da consciência espiritual. Porém, esse “Eu” é constituído e orbitado por personalidades psíquicas, pequenos “eus”, fulcros menores, estereótipos de cada personalidade vivida, que se manifestam em expressões diferentes de autorrealização (personalidade, personalidades múltiplas e subpersonalidades).
Quando em desarmonia, precisa tratamento adequado, fazendo com que esses elementos desarmônicos vibrem em consonância com seu centro unificador. Necessário também orientação e conscientização adequada ao atendido, para que mude sua maneira de ser, e aos familiares.
O número de atendimentos e a eficácia do tratamento dependem:
- de cada caso;
- da condição encarnatória e da razão do existir do paciente;
- do amparo espiritual, merecimento, esforço, dedicação e seriedade com que o paciente conduz o tratamento;
- da capacitação, empenho, harmonia, equilíbrio e amor fraterno do grupo atendente;
- do empenho do paciente em fazer sua reforma íntima e seguir as orientações dadas;
- da colaboração do grupo familiar e da necessidade de aprendizado de cada uma das partes interessadas.
Decifrando o Psiquismo
A experiência de trabalho medianímico vivenciada nos últimos 24 anos, em vários grupos apométricos, demonstra de forma cabal a existência e a ação dos elementos psíquicos, denominados “Personalidades Múltiplas” e “Subpersonalidades”. As conclusões, conceitos e informações que reafirmamos vêm de tempos remotos, não é nossa exclusividade, e foram observados ao longo de anos por cientistas de renome e por espíritos conceituados.
Dentro do campo da psicologia eles foram observados por Pierre Janet, William James, Jung e outros. No campo da psiquiatria estudaram o assunto o italiano Roberto Assagioli (Psicossíntese) e inúmeros outros estudiosos, conforme registros da Associação Americana de Psiquiatria. No campo espiritual, temos os estudos de André Luiz, Joanna de Ângelis, Manoel Philomeno de Miranda, Miramez, Charles Lancelin e outros.
O algo “novo” que Dr. Lacerda nos trouxe foi a forma diferente de tratar terapeuticamente esses elementos. Não é novidade o estudo dos corpos sutis.
As personalidades psíquicas foram e continuam sendo estudadas e denominadas de “personalidades múltiplas”, “subpersonalidades”, “eus”, “elementos antagônicos”, “inconsciente coletivo pessoal”, “personalidades parasitas”, “elementos da consciência”, “personas”, “papéis”, “pensamentos”, “máscaras”, “fachadas”, “cisões”, “energias” e “níveis”. As nomenclaturas diferenciadas em nada alteram a essência dos elementos e nem anulam a realidade dos fatos. Evidentemente, não pretendemos ter a posse da verdade, dar respostas definitivas e nem combater “verdades” estabelecidas. A cada dia a ciência prova de forma incontestável a relatividade e a multidimensionalidade das coisas. O resultado da observação e experimentação que fazemos sugere maior estudo sobre a essência, funções, morfologias e propriedades desses elementos psíquicos.
Nossa proposta é trabalhar com determinação, fé e amor, buscando a compreensão dos elementos e tentando aliviar a dor das pessoas tocadas pelo sofrimento, que nos procuram em busca de auxílio. Não pretendemos a unanimidade de conceitos nem de opiniões, uma vez que na unanimidade a evolução pode ser mais lenta. Ao codificar a Doutrina dos Espíritos, Kardec observava com muita propriedade que não fôssemos muito apressados em rejeitar a priori tudo o que não pudéssemos compreender, porque longe estamos ainda de conhecer todas as leis e, sem dúvida, nem a natureza nos revelou ainda todos os segredos. O mundo invisível é um campo de observação ainda novo, cujas profundezas seria presunção nossa considerar explorado, quando incessantemente se estão patenteando a nossos olhos novas maravilhas (A. Kardec, OP, Capítulo 2, Parágrafo VII, Dos Homens Duplos… item 9).
Existem inúmeros estudos sérios sobre esse assunto, dentro e fora da doutrina espírita, que não podem ser ignorados ou negados. O fenômeno das personalidades psíquicas realmente se comprova de fato, tendo em vista os inegáveis resultados benéficos após o tratamento. É comum ao abordarmos psiquicamente a consciência de um indivíduo encontrarmos duas ou mais personalidades psíquicas dissociadas, que se revezam ou alternam durante o transcorrer de um dia, percebidas e interpretadas como estados de humor.
Essas personalidades, por vezes, assumem ou tentam assumir provisoriamente a consciência da pessoa, promovendo comportamentos diversos. A sua permanência é mais demorada no distúrbio chamado “dupla personalidade”, em que a pessoa se modifica de tal modo que parece se transformar em outra.
No livro, “Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, o instrutor Áulus esclarece que o fenômeno é comum e acrescenta: “É a influenciação de almas encarnadas entre si que, à vezes, alcança o clima de perigosa obsessão. Milhões de lares podem ser comparados a trincheiras de luta, em que pensamentos guerreiam pensamentos, assumindo as mais diversas formas de angústias e repulsão”.
Indagado se o assunto pode se enquadrar nos domínios da mediunidade, esclarece:
“perfeitamente, cabendo-nos acrescentar ainda que o fenômeno pertence à sintonia. Muitos processos de alienação mental guardam nele as origens. Muitas vezes, dentro do mesmo lar, da mesma família ou da mesma instituição, adversários ferrenhos do passado se reencontram. Chamados pela Esfera Superior ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se veem possuídos, uns à frente dos outros e alimentam com paixão, no imo de si mesmos, os raios tóxicos da antipatia que concentrados se transformam em venenos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a morte. Para isso, não será necessário que a perseguição recíproca se expresse em contendas visíveis. Bastam as vibrações silenciosas de crueldade e despeito, ódio e ciúme, violência e desespero, as quais alimentadas, de parte a parte, constituem corrosivos destruidores.” E isso não acontece só nos lares, ocorre nos grupos espiritualistas e espíritas, bem como entre todos os demais agrupamentos humanos e, principalmente, naqueles que levantam alguma bandeira de luz por lhes faltar a Verdadeira Luz da Fraternidade.
Uma outra visão sobre as Personalidades Psíquicas
Os elementos psíquicos “eus”, que se dissociam criando dificuldades, são projeções do “si mesmo” ou pensamentos que se corporificam, tomam a forma das antigas personalidades vividas alhures. Podem permanecer ativas por tempo indeterminado, dias, meses, anos ou séculos até que compreendam a necessidade de se integrarem definitivamente à individualidade eterna e ao processo evolutivo.
Ramatís, espírito estudioso do assunto, sempre valorizou todos os esforços evolutivos. Sem discriminação nem sectarismos nos convida a perquirir sobre o psiquismo, o agregado humano e o passado, bem como estudar o que foi denominado “perispírito”, aproveitando e extraindo tudo o que puder auxiliar a nossa evolução.
Em “Chama Crística” afirma:
“Não deveis estar presos a conceitos tradicionais, excessivamente lineares. Assim, como as traças roem o fino tecido que é usado em ocasiões festivas, as larvas podem roer o canteiro mental escassamente cultivado. (…) A lição de a mente não estar presa a conceitos empoeirados, principalmente na pesquisa da psique humana e dos fenômenos psíquicos não aceita pelos cientistas, é muito necessária à ciência terrícola, tão deficitária de humildade em seus pesquisadores. A perquirição humilde será a prima essência que moverá a pesquisa comprometida com as verdades ocultas.
Atentem ao fato de que, assim como na época da codificação da Doutrina Espírita, começarão a jorrar, da fonte do Altíssimo, novos ensinamentos e conceitos que se completarão e se confirmarão, em diversas localidades do vosso orbe, comprovadamente verídicos e sem estarem relacionados na sua formulação. Será como um guia epistemológico do Astral, a baixar nas lides científicas terrícolas” (p. 90).
“Vosso corpo, no conceito hermético, é um microcosmo à semelhança do macrocosmo. Encontram-se em constante interação os diversos campos energéticos, que, interiormente, o constituem e, exteriormente, o cercam. Uma vez entendendo a natureza e a estrutura dessas correspondências, que devem estar em harmonia como tudo no cosmo, e não em desordem, podereis restabelecer e manter o equilíbrio” (p. 110).
André Luiz e Joanna de Ângelis pesquisam no astral e confirmam a existência das “múltiplas personalidades”, “subpersonalidades” e suas manifestações perturbadoras. Essas pesquisas corroboram os estudos acima mencionados.
O único ponto que suscita esclarecimento é o fato do fenômeno ainda ser difícil de ser compreendido. Tanto que o físico Jean Guitton asseverou, em seu livro “Deus e a Ciência”, que “a realidade ‘em si’ não existe; que ela depende do modo pelo qual decidimos observá-la; que as entidades elementares que a compõem podem ser uma coisa (uma onda) e ao mesmo tempo outra (uma partícula). E que, de qualquer modo, essa realidade é, num sentido profundo, indeterminada”.
Não só os corpos sutis podem ser estudados por partes, como também o corpo físico. Por essa razão a própria medicina é dividida em especialidades e cada uma cuida de um sistema do corpo: sistema respiratório, sistema nervoso, etc. Sistema também é divisão ou desdobramento.
Se não for verdadeiro que uma pessoa encarnada (hoje) possa ter personalidades desdobradas nas faixas inferiores, embora isso fique evidenciado nos tratamentos e na cura de determinados sintomas, onde esses elementos foram encontrados, resgatados e tratados, precisamos encontrar outra causa e nova explicação plausível para essa melhora e cura. Em termos de evolução, uma pessoa encarnada em pleno século vinte e um, com elementos psíquicos estacionados há dois mil anos no local de sua vivência pretérita, sinaliza acomodação e apego demasiado nas coisas e idéias que lhe interessaram na época por mais equivocadas que sejam. O nosso psiquismo, como as lendas antigas, ricas em simbolismos significativos, deve ser decifrado e utilizado proveitosamente em suas potencialidades ainda desconhecidas.
Discutir qualquer crítica, sendo ainda mais rigoroso, tem o condão de despertar a vontade de estudar e pesquisar, comparar, experimentar e comprovar de forma incontestável a realidade do psiquismo humano.
Determinadas críticas fomentam o interesse pelo assunto, o desejo de rever e melhorar suas fundamentações. E isso será realizado, incansavelmente, até que a gama de fenômenos (espiríticos, anímicos, personímicos) psíquicos se revele totalmente em benefício do ser humano.
Mediunidade e formação dos grupos
Conforme Emmanuel, “a Mediunidade é talento do céu para serviço de renovação do mundo, mas é lâmpada que nos cabe acender…”. Assim sendo, é tarefa pessoal iluminar a mediunidade com a luz do conhecimento e da disciplina. Só assim poderemos formar médiuns competentes e grupos mediúnicos eficientes.
Aqueles que pretendem utilizar as técnicas apométricas e o Desdobramento Múltiplo devem ter uma noção mínima sobre o que é necessário para a realização de um bom trabalho. O estudo da Doutrina Espírita é a base, dado a amplitude, a profundidade das informações e dos conceitos que nos traz. Mas é preciso noções sobre: funcionamento do psiquismo, consciência, mediunidade, obsessão, auto-obsessão, estrutura perispiritual, animismo, cromoterapia mental, hipnose, regressão e progressão de memória, comportamento humano e distúrbios medianímicos, requisitos indispensáveis ao socorro eficiente e ao trabalho proveitoso.
Sem conhecimentos e mediunidade bem orientada não se pode fazer um trabalho apométrico adequado, dado à necessidade dos elementos perturbados ou perturbadores (personalidades múltiplas, subpersonalidades e espíritos), serem encaminhados para tratamento.
O “choque anímico” provocado pela incorporação é fundamental para desagregar energias negativas condensadas na estrutura do psiquismo dos elementos incorporados e também para os retirar do monoideísmo.
Desse modo é fundamental que o interessado em trabalhar com Apometria aprenda, antes das técnicas apométricas, a conhecer e a trabalhar eficientemente com a mediunidade, seja no papel do incorporador ou do esclarecedor/doutrinador. Todo o curso de Apometria deve incluir treinamento prático desde o inicio.
O tratamento adequado e a cura se encontram:
- na compreensão das possibilidades que o ser humano tem, ao seu alcance, de atuar através da vontade consciente e bem direcionada;
- na transformação moral;
- na conversão do instinto primitivo em força produtora de novas energias;
- na consciência de que a doença resulta do choque entre a mente e o comportamento, o psíquico e o físico;
- na compreensão de que o homem é, segundo Albert Eistein, “um conjunto eletrônico regido pela consciência”, ou segundo Joanna de Ângelis, “um agrupamento de energias em diferentes níveis de vibração”;
- na compreensão de que a conduta desregrada, as ocorrências viciosas, os pensamentos violentos e as forças descompensadas do instinto produzem congestão ou inibição de energias, geram correntes continuas de caráter enfermiço e causam depressão, obsessão compulsiva e degeneração de tecidos e órgãos.